July 3, 2010
Revelations inside the borders of the solar plexus
Life awakening
Still clinging to the dew beauty of dream, once more I wake up to fright, gasping at dawn, once more alone and lost. Pinned to this bed by the gothic ceilings of this caravelle, this oh, so beautiful house.
The gardens of my enchantment and of the butterflies, a country that was a stranger to me and that is now mine. I am a citizen of this community, in the more mundane sense, having sworn to the truth of wanting to stay.
I breathe and from the air that enters my body, the feeling of alone penetrates. I breathe and watch my face, open pores of nose, skin color of marzipan, a hair growing in the wart, the mouth demanding deeper and deeper air to stop this daily ache, in the awakening of my days. Of my aloness, in my body, I breathe, I feel.
On the road, maybe to my end, in this bed made of my own body. On the road I have no desire because desire does not work in this journey.
The insight to feel, to breathe,
so as to be alive, to get over this fright of life and death. To accept, in the awake and in this breath, that ageing is to know how to inhabit one’s own body. In this morning and moment I do not have the body of others as my aim, my own physical body is what composes me.
Of the bodies of others I know they compose music, sex, vibrations, love, the words of art, friendships, marriages, falling out of love, the people, relationships, all that which, in illusion, makes me corporeal.
In this instant, I do not need the bodies of others to be. I do not relate. I enter inside my own body, I recognize a borderline in this morning of mine.
My unique possibility to inhabit my own time and to age.
To have some peace.
sábado, 3 de julho de 2010
quinta-feira, 1 de julho de 2010
Aprendizados
Quinta-feira, 1 de julho de 2010
Waking up
June 30, 2010
Revelação nas fronteiras do plexo-solar
e na vida do acordar
Acordo para mais um susto, apêrto do plexo solar, sufôco no amanhecer, mais uma vez, mais um dia, sózinha e perdida. Ainda apegada a fantasia do sereno dos meus sonhos. Nessa cama, deitada diante desses tetos altos e góticos deste veleiro, nessa casa tão bonita, com tanta beleza. No jardim dos meus encantos e das borboletas, num país que era estranjeiro pra mim e que agora é também meu. Sou cidadã dessa comunidade, no sentido mais mundano da palavra, até prestei juramento na verdade do querer ficar.
Respiro, e do ar no acordar que entra dentro do meu corpo, entra o sentir do só que entra dentro. Ao respirar enxergo a minha cara de perto, o nariz respirando, a pele côr de marsipã sem tintura, os poros abertos, os cabelos nas verrugas, a bôca pedindo ar para parar a dôr no plexo solar diário dos meus dias,
Do meu corpo, do meu só. Sou eu respirando e sentindo, talvez até a caminho do meu fim.
A caminho não tenho desejos porque desejar o que não tenho não funciona.
Na revelação sentir, respirar para poder estar viva, para ultrapassar o susto de viver e de morrer. Aceitar, no acordar e no respiro, que envelhecer é saber estar dentro do meu corpo próprio.
Nessa manhã e instante não tenho o corpo dos outros como meu proposito, o corpo físico meu é o que me compõe.
Do corpo dos outros o que sei é que compoem a música, o sexo, as vibrações, o amor, enfim, o palavreado da arte, as amizades, os casamentos, os disamores, o povo, os relacionamentos que na ilusão nos fazem corpóreos.
Tem a ver com o meu envelhecer,
a minha possibilidade unica
de habitar o meu tempo.
me dar paz.
Waking up
June 30, 2010
Revelação nas fronteiras do plexo-solar
e na vida do acordar
Acordo para mais um susto, apêrto do plexo solar, sufôco no amanhecer, mais uma vez, mais um dia, sózinha e perdida. Ainda apegada a fantasia do sereno dos meus sonhos. Nessa cama, deitada diante desses tetos altos e góticos deste veleiro, nessa casa tão bonita, com tanta beleza. No jardim dos meus encantos e das borboletas, num país que era estranjeiro pra mim e que agora é também meu. Sou cidadã dessa comunidade, no sentido mais mundano da palavra, até prestei juramento na verdade do querer ficar.
Respiro, e do ar no acordar que entra dentro do meu corpo, entra o sentir do só que entra dentro. Ao respirar enxergo a minha cara de perto, o nariz respirando, a pele côr de marsipã sem tintura, os poros abertos, os cabelos nas verrugas, a bôca pedindo ar para parar a dôr no plexo solar diário dos meus dias,
Do meu corpo, do meu só. Sou eu respirando e sentindo, talvez até a caminho do meu fim.
A caminho não tenho desejos porque desejar o que não tenho não funciona.
Na revelação sentir, respirar para poder estar viva, para ultrapassar o susto de viver e de morrer. Aceitar, no acordar e no respiro, que envelhecer é saber estar dentro do meu corpo próprio.
Nessa manhã e instante não tenho o corpo dos outros como meu proposito, o corpo físico meu é o que me compõe.
Do corpo dos outros o que sei é que compoem a música, o sexo, as vibrações, o amor, enfim, o palavreado da arte, as amizades, os casamentos, os disamores, o povo, os relacionamentos que na ilusão nos fazem corpóreos.
Tem a ver com o meu envelhecer,
a minha possibilidade unica
de habitar o meu tempo.
me dar paz.
domingo, 20 de junho de 2010
Dreams
Grandes sonhos pontuam meus pensamentos
no fazer dormir
a inocência
do meu querer.
Fantasmagoric dreams place periods
onto my thoughts
lullabye to sleep
the innocence
of my wants.
no fazer dormir
a inocência
do meu querer.
Fantasmagoric dreams place periods
onto my thoughts
lullabye to sleep
the innocence
of my wants.
segunda-feira, 7 de junho de 2010
Árvores tombadas
Tramas, enrêdos, cenas, capítulos
protagonistas, heróis, vilãos e piratas
podem habitar o espaço branco da página
das árvores tombadas.
Mas não o poema.
O poema precisa pousar breve
respirar leve a sombra delas
pedir perdão pelo pedaço nosso
que arrancou da floresta
se enterrar
no esquecimento do castelo,
na selva da memória.
Fallen trees
Plot, characters, scenes, chapters,
protagonists, heroes, villains and pirates,
can populate the blank page
of dead trees.
But not the poem.
The poem must rest briefly
in their shade
take a breath,
ask forgiveness for the chunk it takes away
from us and from the forest
disappear inside,
the composting jungle of memory.
Original & translation by Erica Weick
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Amazing Grace
In the forget
life is here
composted
compounded confused
geometric tantric fields of sky
landscape dream cloud
in elephant shape
sliding away (as clouds tend to)
from three generations
of women and many of their men
waltzing to Cohen
and to Lorca
amazing grace light green of spring
swell of pregnant poppies
tight solar plexus
creeping happily
in the forget
dance of summer
here
is wonder in waiting
willing wish
life wanting to stay.
May 2010
Erica Weick as the scribe
Nossa Senhora das Graças
dos esquecimentos
da vida aqui
compostada
complicada confusa
em planos geométricos
tântricos das paisagens do céu
em nuvens de elefantes
deslizando (como só as nuvens sabem)
por três gerações de mulheres
e muitos de seus homens
valsando ao som de Lorca
e de Cohen
Nossa Senhora das Graças
luz clara verde de primavera
das papoulas grávidas
do apêrto na boca do coração
se insinuando
nessa felicidade do esquecer
da dança do verão
aqui
na surprêsa do esperar
do querer saber
da vida querendo ficar
Tradução da autora
life is here
composted
compounded confused
geometric tantric fields of sky
landscape dream cloud
in elephant shape
sliding away (as clouds tend to)
from three generations
of women and many of their men
waltzing to Cohen
and to Lorca
amazing grace light green of spring
swell of pregnant poppies
tight solar plexus
creeping happily
in the forget
dance of summer
here
is wonder in waiting
willing wish
life wanting to stay.
May 2010
Erica Weick as the scribe
Nossa Senhora das Graças
dos esquecimentos
da vida aqui
compostada
complicada confusa
em planos geométricos
tântricos das paisagens do céu
em nuvens de elefantes
deslizando (como só as nuvens sabem)
por três gerações de mulheres
e muitos de seus homens
valsando ao som de Lorca
e de Cohen
Nossa Senhora das Graças
luz clara verde de primavera
das papoulas grávidas
do apêrto na boca do coração
se insinuando
nessa felicidade do esquecer
da dança do verão
aqui
na surprêsa do esperar
do querer saber
da vida querendo ficar
Tradução da autora
quarta-feira, 28 de abril de 2010
Patterns - Padrões:
A importância de nós e o jeito certo de dobrar uma rêde
Paulo Velho, rapaz da Paraíba, não só nos ensinou como dobrar uma rêde mas nos ensinou como tirar nó delas. Essa rêde da foto tinha dois nós muito antigos, daqueles desbotados que já parecia que faziam parte dela. O Paulo Velho soprou três vezes e isso é importante. Depois, em menos de cinco minutos e com a ajuda de um prego grande, desatou os dois nós e tirou todos aqueles enrôlos e amarrados que tôda as rêdes tem. Conta que foi com a Mãe dêle que aprendou, lá na Paraiba. Essencial, dizia ela, notar que uma rêde sem nós tem dono sem nó na vida, e vice versa.
O dobrar segue o exemplo dos velejadores – dobre como se fôsse uma vela.
The importance of knots and the right way to fold a hammock
Paulo Velho (The Old One), a young man from the state of Paraíba taught us not only how to properly fold a hammock, but also how to remove its knots. The hammock in this photo had two ancient knots so discolored and tight they seemed to be part of it. He blew three times on each knot and that is important. Then, in less than five minutes and with the help of a long nail, he untied the knots and untangled the strings. He tells us his Mother taught him this, back north in Paraiba. Essential to know, she used to say, that a hammock without knots has an owner who has no knots in his life, and vice-versa.
The folding pattern is the same sailors follow, in a sailing boat, when folding a sail for the winter.
Paulo Velho, rapaz da Paraíba, não só nos ensinou como dobrar uma rêde mas nos ensinou como tirar nó delas. Essa rêde da foto tinha dois nós muito antigos, daqueles desbotados que já parecia que faziam parte dela. O Paulo Velho soprou três vezes e isso é importante. Depois, em menos de cinco minutos e com a ajuda de um prego grande, desatou os dois nós e tirou todos aqueles enrôlos e amarrados que tôda as rêdes tem. Conta que foi com a Mãe dêle que aprendou, lá na Paraiba. Essencial, dizia ela, notar que uma rêde sem nós tem dono sem nó na vida, e vice versa.
O dobrar segue o exemplo dos velejadores – dobre como se fôsse uma vela.
The importance of knots and the right way to fold a hammock
Paulo Velho (The Old One), a young man from the state of Paraíba taught us not only how to properly fold a hammock, but also how to remove its knots. The hammock in this photo had two ancient knots so discolored and tight they seemed to be part of it. He blew three times on each knot and that is important. Then, in less than five minutes and with the help of a long nail, he untied the knots and untangled the strings. He tells us his Mother taught him this, back north in Paraiba. Essential to know, she used to say, that a hammock without knots has an owner who has no knots in his life, and vice-versa.
The folding pattern is the same sailors follow, in a sailing boat, when folding a sail for the winter.
domingo, 21 de março de 2010
Borboletando na Mata: Asas para que?
Visões
E volto ao princípio. Isso tudo começou com uma curiosidade insistente e um bate papo de e-mail com um amigo sôbre um enxame de Monarcas que êle avistou dentro de um terreno baldio, na cidade de São Paulo, na zona sul, perto da embaixada americana, a alguns anos atrás. Foi quando descobri que o algodãozinho do campo (Asclepias curassavica) era primo das asclepias nossas, em Maryland, nos Estados Unidos, e que as Monarcas, embora originárias das Américas, estariam hoje espalhadas pelo mundo inteiro. A sua sobrevivência nas Américas continua ameaçada porcausa da destruição de seu habitat.
As asas das borboletas Monarca me lembram dos desenhos dos tecidos vendidos no Borneo e na costa leste da Africa. Vale a pena visitar o site dos insetos (em inglês) para mais padrões(patterns).
Asas para quê? Forma segue função ?

A meu ver, pouco sabemos sôbre as borboletas. Sabemos que elas, quando em repouso, quase sempre mantem as asas fechadas, as bruxas as mantem abertas.
As asas abertas delas podem ter cores mais vivas que assinalam camuflagem ou veneno aos predatores. As asas fechadas enviam sinais subliminares bastante diferentes para as outras borboletas.
Imagine as asas delas construidas em duas camadas feitas de um material fininho e transparente chamado quitina, a mesma substancia que cobre os camarões.
Essas camadas estão esticadas sobre uma teia estrutural composta de veias tubulares que servem para conduzir os liquidos que sugam do polen, das flores, das frutas e do barro. Essas veias tambem funcionam como respiração.
Quem sabe até servem para pensar?
Nos machos, as asas contem escamas especializadas que produzem e soltam feronomas, a androconia que vai atrair as fêmeas.
As asas podem emitir raios ultravioletas que somente serão vistos por outras borboletas através de longas distâncias.
Pesquizas recentes sugerem que os cristais fotônicos presentes nas asas se comportam como luzes de LED.
Cristais Fotonicos e Coletores Solares
Explica a cientista Fernanda Boletto em seu belo blog Bala magica:
"...as cores que vemos estampadas nas asas de muitos gêneros de borboletas, como a morfo azul, ... se devem a estruturas nanométricas altamente organizadas (parecidas com plaquinhas). ...Essas plaquinhas fazem com que a luz que bate nelas seja espalhada apenas em certas direções e em certos comprimentos de onda, e é isso que vai definir a cor que veremos. O grau de organização das plaquinhas é parte fundamental desse processo, porque os espaços entre elas são exatamente da mesma dimensão que o comprimento de onda da luz espalhada. ...Os físicos chamam as estruturas nanométricas que espalham luz e causam o efeito de iridescência, de cristais fotônicos. Cada asa de borboleta possui diferentes tipos de cristais fotônicos: alguns mais organizados, que resultam na cor azul, outros menos organizados, que resultam na cor verde..."
Cientistas japoneses e chineses usam o padrão das asas de borboletas como bio-modelos para coletores solares mais eficientes. Testes em laboratório mostram que os coletores solares presentes nas asas de borboletas absorvem a luz de maneira mais eficiente do que as células convencionais.
Só no Brasil, mais de 3.500 espécies de borboletas já foram descritas, e muitas estão ainda a serem descobertas. Hoje pelo menos 57 espécies reconhecidas de Lepidopteras estão ameaçadas de extinção.
A cada dia novas descobertas apontam para os limites do nosso conhecimento dessas criaturas, que a meu ver, são parte peixe, parte pássaro e parte nós.
Pó de fada?
O que me espanta é que continuamos a estimular a cultura da caça delas.
O sociologo polônes Sygmund Bauman dizia numa entrevista recente a revista Cult da UFMG que "a utopia dos caçadores não oferece sentido nenhum a vida, verdadeira ou fraudulenta". Êle fala de nossa modernidade como a era metafórica dos jardineiros que conhecem e sabem como tratar de seus jardins.

As borboletas, como os sapos, são marcadores ambientais pois são extremamente suscetíveis aos abusos meio-ambientais e refletem a saúde de um lugar. Uma única aplicação de agro-toxicos como o famoso Round Up pode destruir gerações inteiras destes insetos, pois destroe a fonte de seu alimento e de suas fontes liquidas, tanto das lagartas como dos insetos adultos.
E aquele pozinho cintilante que fica nos nossos dedos quando pegamos as borboletas "Ai que linda, parece uma fada!", aquele pozinho faz parte integral da pele dela, faz parte de seu sistema auditivo, tactil, do seu sistema sexual.
Cada toque destroe mil escamas – é como se uma lixa de aço passasse com força no nosso braço e abrisse na marra os poros. Ou se alguem puxasse meu cabelo e arrancasse um bocado. Dá pra perceber.
Guia das ilustrações e fotos:
"Population Genetics" de "Biology Today", um texto de biologia de 1972. Visite tambem o blogue Ajourneyroundmyskull para mais ilustrações divertidas.
"Population Genetics" de "Biology Today", um texto de biologia de 1972. Visite tambem o blogue Ajourneyroundmyskull para mais ilustrações divertidas.
Borboletas por ordem de entrada:
Lagarta da Monarca em Asclepias curassavica; Diatheria Clymena ou "88"; Hamadryas Vermelha ou Estaladeira Vermelha; Não identificada na amoreira; Morpho?; Adelpha; Não identificada no pé de mamão; Fritilaria Baunilha do Golfo
Assinar:
Postagens (Atom)











