quinta-feira, 23 de outubro de 2014

A THOUSAND AND ONE STORIES

As mil e uma estórias das sementes da romã e da viagem de Perséfone para dentro dos territórios da Morte (e do inferno de Hades), da Mãe territorial, do Pai no Julgamento e das Leis.


E da menina que puxa, já fazia tempo só o que queria era correr pelo terreiro, achar a romã madura, com as unhas abrir a casca devagar, pedacinho só pra tirar um gomo, mais fininho e delicado que mexerica ou laranja, veludo do vinho do Tio, transparente de ácrido lúcido. E de chupar não sete nem mil sementes mas cada gomo inteiro. Devagar. Sem contar. Escorrendo o suco gostoso pelos lados da boca. Cuspindo o bagaço amargo e os carocinhos no chão do quintal para as galinhas. Morrer nisso. Era tudo que a menina queria.

Talvez a menina soubesse mais que Zeus, mais que Demether, mais que Hades, mais que Wall Street, mais que todos e mais que ninguém. Talvez. De incipiente mulher na mudez que veio depois.

Talvez a menina soubesse de coisas que já tinham sido explicadas… na criação. E ficou sem voz.



The thousand and one stories of pomegranate seeds, Persephone’s journey into Death Territories (Hades’ hell), of the territorial Mother, of judgment Father and of the Law.

And of the girl who, well, all she wanted was to run through the backyard and pick a ripe pomegranate, rip the skin slowly with her fingernails, just enough to carefully take a segment, more delicate than an orange segment, finer than a tangerine, something acrid and to see the rich seeds inside, red as Uncle’s wine, so transparent and lucid.  And to suck not seven not a thousand but each entire. Slowly. Without counting. Good juice dripping down the sides of her mouth. Spitting the bitter fiber and the hard seeds in the yard for the chickens. To die doing this. It was all the girl wanted.

The girl apparently wanted things that had already been explained… in creation. And she lost her voice.

Maybe the girl knew more than Zeus, more than Demether, more than Hades, more than Wall Street, more than all and no one. Maybe.  Incipient woman in the dumbness that came later.

http://bodydivineyoga.wordpress.com/2014/10/06/rewilding-the-yoga-body/